segunda-feira, 21 de junho de 2010

Supremacia

O amor não comporta tanta mágoa, que leve ao capricho tolo. Nele, ninguém jamais terá tanta razão, que possa ter direito a prepotência. À tanto, há que se preferir a solidão, pois seus caminhos deixam de existir. Ou optar pelo entendimento que sua grandeza permite.
O amor não morre nunca, mas pode partir sim, com a mesma ausência de motivos porque chegou.
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texto: paulo moreira
imagem: olhares.com - portugal

domingo, 23 de maio de 2010

Um Professor (Feliz Aniversário)

Ser professor não basta. Tem que ter interesse pelo que e para quem explica, valorizando ambos e, assim, a si mesmo. Pesquisar para buscar o domínio sobre sua arte. A arte de transformar a eventual inexperiência numa oportunidade de compartilhar, pois ensinar não é ser o sabe-tudo. Quem bem ensina, sabe que muito aprende e, com a humildade dos grandes, aceita e transmite esse fato.
Bom professor não é papagaio de livros decorados, de falas feitas. Sabe que o importante não é comprar o bolo pronto - é ensinar a receita e fazer junto. Orientar é fazer com que os outros não vejam apenas um caminho, mas sim, vislumbrem possibilidades. É respeitar os limites de cada pessoa.
Ser amigo meio pai & mãe e possuir a paciência dos monges. Mostrar que é preciso sempre tentar. Tentar e errar, tentar até acertar, tentar e vencer. Plantar o futuro e saber que o resultado dessa prova pode demorar anos para ser conhecido.
Ensinar é provocar a ousadia do saber! Só professores especiais são lembrados por seus alunos. Seguem conosco pela vida inteira porque “ teachers never leave the kids alone”.
Por tudo isso, receba Valdir - nossa amizade, respeito e carinho. Porque, para aluno de administração, professor tem que ser assim:
- Uma Brastemp!
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Nós, da turma de administração, desejamos a você Valdir, uma vida cheia de saúde e de luz. Parabéns por ser esta pessoa tão especial para todos!

texto: paulo moreira (republicano*)
*republicano = publicano dinovo
imagem: olhares.com. portugal

domingo, 16 de maio de 2010

Dias de Sonho (Bookclip)

Devaneio é um álbum multimídia dentro da gente. São lembranças guardadas num index, cuja ordem nos complica e que mais parece uma apresentação aleatória de imagens. Mas, não é apenas isso. É um álbum que se apresenta por sentimentos; não tem ordem cronológica ou alfabética. Um passeio que pode ser uma simples caminhada, tanto quanto uma volta de Fórmula 1 – só depende da nossa imaginação. Não tem vínculo algum que não seja o da emoção. Uma viagem no nosso tempo e no nosso espaço.

Um flash de uma frase trocada com uma professora, uma lembrança de primeiro beijo com perfume de carinho que só aquele momento possuiu. Lembrar aroma... ora! Aquela foto com um laço branco, enorme e imensamente ridículo, ultrapassando longe a área de uma cabeça, que sabemos, maravilhosa. O papel da foto pode até já ter ido, mas dentro de nós continua aquela adorável coisa boba. A primeira visão da pessoa amada, nua e linda, no primeiro momento de amor, amor mesmo.


O jeep ou o triciclo do dia de natal que só apareceu no dia 25 pela manhã coberto de fitas, numa dessas magias de um infalível mago de dezembro. Aquele néctar de jabuticaba que só aquelas tinham. A briga com o Jorge japonesinho. Namorar no carro é um sufoco! Câmbio infeliz. O “seu” Américo do bazar, acho que chamava Bazar Safira (merecido nome) – um mundo de sonhos de cadernos e brinquedos misturados, além de presentes para o dia das mães. Com cartão e tudo!


A miniatura do creme dental Kolynos ganhada no Salão da Criança e que até hoje não sabemos onde foi parar, mas não usamos por dó de perder a preciosidade. Para não mais desperdiçar miniaturas, tomei todo o líquido das miniaturas de bebidas da coleção lá de casa. O Martini doce é mil vezes melhor que o Fogo Paulista. Valeu a bronca.



Ai, aquela calça Lee boca de sino – emendada para aumentar a boca e, conseqüentemente, melhorar o som do sino. Aquele aperto inesperado no meio da dança, como resposta de um pequeno suspiro junto ao ouvido. O time do outro colégio que, jamais – em tempo algum – ganhou de nós em qualquer modalidade. VIVA WOLNY! Não ganhavam nem em arremesso de caroço de melancia. A chegada da filha; seus olhinhos verdes e sotaque de mineirinha. Na verdade – ela nos adotou.

Meus automóveis de plástico com as rodinhas removíveis e desaparecíveis. Uma irmã nascendo em plena madrugada e que, além de nos tirar a condição de caçula, tirava também o sono com aquele choro enjoado e incomodante de concorrência não muito bem vinda. Como é que me confesso para o padre? Como explicar o que ocorre entre uma revistinha e outra?


A odiada dona Rosinha me adora e passei em primeiro lugar. Adeus grupo. Eta medalha linda que ganhei, mas não levei. Agora o papo é de gente grande – ginásio. Aquele dia na praia queo carro afundou por causa da maré e que, ocupados num importante amor na pedra, sequer notamos. Tivemos que arrombar o porta-malas do carro novinho, porque a chave foi fechada dentro. Ainda bem que alguém ajudou. O dia que a neta nasceu. Coisinha mais linda. Só não tem um único fiozinho de cabelo.


Jogar bolinha de gude com o Zé Roberto irrita – grande ladrão de figurinha, ainda por cima, perneta. Brincar de casinha com a Vera e a Sandra. Tenho tido umas idéias melhores que apenas dar bronca em bonecas. Tais como – mandar a “esposinha” ir buscar pudim para o “papai”. Como é bom ser papai. Chegar na “nossa casinha”, com uma versão SLE de um Simca Chambord de rolimã.


Brigar com o gerente foi enfiar o pé na jaca. Mas eu disse tudo o que queria. O cara é louco – Fui promovido!


A mãe dela nos pegou no quarto. Até camisa vesti ao contrário. E foi falar com meu pai. Ele disse que quem deveria reclamar era ele: – Sua filha é maior de idade! (eu ouvi, mas se ele souber disso, me esgana). O menor de idade sou eu. Menor ou maior, levei um ralo sem tamanho!


Responder o questionário caderno da Leila, que tem 250 perguntas importantíssimas, que vão desde um simples “O que você acha da sua mãe?”, até um complicado “Como foi seu primeiro beijo?”. Pior – “Aonde foi?”. Colocar dedicatória no final é um pé. Pior que batatinha quando nasce. Toda vez que brigo, ganho uma promoção. Brigo com convicção... Esse é o segredo!


Guarda-chuva de presente de aniversário. Ela é doidinha. Mas é nunquinha que eu uso! O primeiro relógio pago com o primeiro salário. Seiko bonito.Trabalhão abrir aquela porta sem maçaneta do banheiro do motel, que resolveu bater e nos deixar presos lá dentro, sem roupas ou esperanças. Ela chorando, sentada no vaso sanitário, parecia aquela hiena do desenho animado... “Oh dia! Oh azar!” Estava tragicômico.


Hoje é segunda, 29 de março... já fiz 18 anos ontem e, hoje, o exame médico da carteira de habilitação. Subornei o médico. O único jeito de passar sem óculos. A menina da cadeira de rodas me ensinou a beijar na boca. Uauuuuuuuu. Ela tem técnica pra caramba!


Engasguei com a fumaça do cigarro. Não sei como alguém pode viciar nisso. Arroz, feijão, bife e batata frita. Salada de tomate com meio vidro de vinagre às 4 da tarde. Após o tomate, o suco do vinagre, claro!


Lá, no Mato Grosso do Sul, tudo é lindo!


O duro não foi ser expulso do cinema. O duro foi ouvir a explicação do Nelsinho sobre a resposta dada para a moça da bilheteria – de que só tinha 14 anos: – Ela me pegou de “chupetão”!!!!!


O dia em que percebi que amava muito além do que poderia imaginar. Quando percebi que amores se partem. E é necessário partir. Mastigar a hóstia na primeira comunhão foi mal. O padre fez uma cara...


Ver a neta andando de bicicleta, parece uma montagem de filme da filha com remixagem. Jogar Banco Imobiliário é ser feliz e não saber! Meu pai parecia que sorria no caixão. Arranjei um estágio. Errei uma fala na apresentação do teatro. Droga! Valia o primeiro lugar no festival de teatro amador. Que se dane! Amador não deveria ser competidor.


Vamos nos casar daqui a 3 meses. Compramos aquela casinha pequenininha com aquele jardim enorme. Vendi a minha metade da casinha para ela pelo mesmo valor das parcelas pagas. Ela deixou um jardim no meu coração. Eu deixei um canteiro de obras no dela. Não vamos mais nos casar.


Acampar sozinho com a Conceição foi bom. Teria sidomelhor se aquele casal com o filho de 5 anos – numa praia até então deserta – não tivesse vindo montar a barraca bem defronte à nossa. O homem adora pescar jogando vela de automóvel no mar. E adora conversar comigo longos papos, enquanto a mulher tricota segredos com a Conça e o moleque faz birra. Aguarda Conceição!


O Taranta casou umas oito vezes. O Edson casou com a Helena. A Cris gostava de mim, namorava o Carlos e casou com um tal de Rogério. Outro dia eu também casei. Revirar o lixo da escola depois da meia noite e encontrar stencil de prova – mais que um esporte – um raro prazer! A união era tanta, que o pessoal só acertava uma questão a mais que a nota necessitada – O nome disso é inteligência. A professora de português se apaixonou pelo Edson. Largou a aula na metade para nos ver no teatro.


– O nome disso é loucura! Ou solidão.


Tamarindo é muito bom. Um azedinho demais! Maçã farinhenta tem gosto de corrimão de boate e jeito de amor se desmanchando. Amor em pedaços... Me chamaram no Messenger. A turma da salinha de bate-papo é muito dez. Estou ouvindo uma canção linda de um conjunto que não lembro o nome. Deve ser de hum mil e novecentos e bola bola. Mas é linda...


– La lalala-lalala... la.... – la la la la la la – la la la la la la – la la la la la – la la la la la la – la la la la la la....


texto: paulo moreira


imagem: photoforum - rússia

domingo, 2 de maio de 2010

Da gente que eu gosto

Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não se tem de dizer que faça as coisas, mas sabe o que tem que fazer e faz. Gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.
Eu gosto de gente com capacidade para assumir as conseqüências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.
Gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom ânimo dando o melhor de si, agradecido de estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.
Eu gosto de gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. De gente que tem tato.
Gosto de gente que possui sentido de justiça. A estes chamo de meus amigos.
Gosto de gente que sabe a importância da alegria e a pratica. De gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor. De gente que nunca deixa de ser animada. Gosto de gente que nos contagia com sua energia.
Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão.
Gosto de gente fiel e persistente, que não descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
Me encanta gente de critério, que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo.
De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los.
De gente que luta contra adversidades. Gosto de gente que busca soluções.
Gosto de gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereótipo social, nem como se apresentam.
De gente que não julga, nem deixa que outros julguem.
Gosto de gente que tem personalidade.
Me encanta gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração.
A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranqüilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.
Com gente como essa, me comprometo, para o que seja, pelo resto de minha vida... já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído.
OBRIGADO POR SER PARTE DESSA GENTE!

texto: mario benedetti
imagem: camila fontes - olhares.com - portugal

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dança do Fogo

imagem: gerson gonçalo - olhares.com - portugal

quarta-feira, 3 de março de 2010

Caminho

Carregar cores pelo caminho. Distribuir cores. Colorir a vida. Tente. Tudo muda e nada pesa!

imagem: internet (rosani nauar)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Bem-vindos ao novo semestre!

Alguns devem estar estranhando o quão pouco temos publicado sobre a Universidade em si, seus problemas, seus pontos altos e coisas que nos dizem respeito mais de perto. Reconheço que, ultimamente, pouco temos falado a respeito da nossa faculdade e que devemos a quem nos acompanha, pelo menos uma satisfação. Mas, antes de tudo, gostaria de fazer alguns agradecimentos a certos profissionais que deixaram suas marcas para todos nós no ano que passou. Segue por matéria:
Contabilidade de Custos: Nossos agradecimentos pela prova, minuciosamente elaborada a partir de questões de um provão, o qual publicamos no blog e, que por uma dessas infelicidades do destino, era uma questão cancelada. Prejudicou as notas e muita gente dos polos. O professor, apesar de questionado diversas vezes (ao menos, pelo Polo Araras) não se manifestou a respeito.

Sobre essa ilustre figura, nada dissemos a respeito na época, até por saber que, num inesperado gesto de reconhecimento de sua própría acefalia, poderia prejudicar todos aqueles que conseguiram ser aprovados, apesar dele. Parabéns, Sr. Carlos Neder, pelo seu caráter. Só que, para quem tem algum senso, Carlos Never!

Língua Portuguesa: A professora, na mesma semana em que assistiu a uma palestra do querido Professor Pasquale e da qual deve ter perdido trechos importantes, talvez inebriada pelo charme do homi, afirmou categoricamente que a expressão "A gente somos inútil" está gramaticalmente correta. Alertada e questionada sobre a possibilidade da licenciosidade poética do autor da letra da música, sequer deu ouvidos. Fechou a questão com uma pérola:

- Em português, gramaticalmente tudo é possível!

Obrigado, mestra! Você foi xou! E a gente estamos agradessidos. Ou como diria Roger Waters:

- We don't need no education.

Polo Araras - Um oficial paraquedista da Guarda Municipal, tenta carreira como professor local e também nos ensinar que matemática e curso de administração nada têm a ver. Convenceu-nos, após ensinar que "x" é um número secreto, cujo criador é um sujeito que sabe qual o seu valor e que, por essa razão, fica fácil para ele (o criador do x) saber quem é x. Realmente, Administração, Matemática e Ele, são como rock, valsa e axé - definitivamente não combinam. Provou por A + B (parece mentira estar escrevendo isso, mas é a mais pura verdade) que o dobro é exatamente o inverso da metade e que o vice-versa disso é verdadeiro. Não dá para perdoar ter chamado a todos de débeis mentais. Houve momentos em que não dava para saber se era faculdade de administração ou Jardim I. Pelo menos, nos ensinou (reclamando do salário) que ser professor de faculdade rende menos que ser segurança pessoal de presidente de empresa do ramo alimentício.

Graças a Deus, não teve como melhorar o soldo do soldado desconhecido da educação. Ele, por sua vez, trocou o giz por um 38. Sorte nossa!

No entanto, preferimos Administração com Sonho de Valsa, que Tae-kwon-do com Sustagen.

Não se trata de ficarmos rastreando falhas de profissionais ou entidades. Trata-se de deixar claro que num ambiente acadêmico, não cabem presunçosos ou "seachantes" que, irresponsavelmente, acreditam-se acima de dar uma explicação sobre suas mazelas.

Na época, só cabia calar. Para evitar as retaliações das quais fomos alvo de ameaças. Passarinho que come pedra, conhece o fiofó que possui.

Resumindo: o pior já passou, esperamos. Assim como esperamos que em todos os Polos, os professores locais estejam sempre sintonizados com o ideal de bem cumprir suas missões. Na interativa, da mesma forma. Competentes e humanos.

Como li em algum lugar:

- O silêncio é uma prece.

Tem hora, entretanto, que é bom soltar uns uivos - que é para as raposas ficarem espertas.

O blog continua enviando modelos de portfólios a quem solicita e outros esclarecimentos e informações, quando houver. Se precisar, envie-nos um e-mail. Só não solicite resolução de exercícios e provas, nem portfólios pré-fabricados. Isso cabe a cada um de nós fazer - além de trazer o verdadeiro conhecimento, evita ameaças e outras tolices.

Sejam todos bem-vindos ao novo semestre!


texto: paulo moreira

imagem: silvia afonso - olhares.com. portugal

Encaixotando nós dois

Não sei por onde começar. Minhas mãos vacilam e sinto medo de imaginar tantas coisas fechadas nessas caixas.
Arrepia-me a idéia de carícias tomadas pelas teias de aranha. Não consigo imaginar a primeira vez ou o primeiro beijo cobertos de pó. Talvez nossos sorrisos se desmanchem na escuridão do sótão e sentirei falta dos filhos imaginários que não tivemos. Dos dois. Vou sabê-los jogados entre lembranças de conversa na cozinha e isso vai me fazer sofrer ainda mais que tê-los perdido.
Como suas roupas íntimas ficavam lindas, jogadas por nem sei onde. Uma foto minha, me arrastando silencioso feito um guerrilheiro no quintal, para não ser pego pelo inimigo. Empurrar portas emperradas sem produzir som, trouxe sensibilidade. Você rainha, no topo da escada, concedendo-me seu sorriso real, talvez o melhor quadro.
Dobrar as ruas cobertas de sonhos da sua cidade junto com a boca suja de sorvete – não vai ser fácil. O batom sendo passado antes de cada ritual de conversas sem fim. Uma blusa verde e alguma coisa estranha nos pulsos. Dois sentados numa namoradeira de pernas pra cima, assistindo o céu fazer promessas que nunca cumpre. As horas de almoço que quero matar tal qual uma roseira. Os quadros que não penduramos e a ânsia de saber o sabor do pão que fiz – também precisam ser guardados.
Junto aos drinks de frutas em pó, o som desse sino de vento, enlouquece. Nossa horta que não fizemos, ficou feia e cheia de matos. No pomar, colhíamos perfumes – entre mangas, acerolas e jacas. A espera angustiante de te ver entrar pela porta do quarto, seguida de uma alegria de criança feliz.
Parar de ouvir nossos uivos lascivos pela madrugada, talvez me alivie. As juras que, enquanto viver, vou negar – devem ficar bem amarradas, com as listas de erros. Vou colar nossa foto fora da caixa. Pode ser que alguém curioso, venha a este sótão. E fique sem entender, definitivamente, porque tantas coisas bonitas foram guardadas aqui.
Daqui algum tempo, talvez sinta vontade de abrir tudo isso, e me detenha ao ver nossos rostos roídos por traças e ratos.
Mas, meu desejo é não por minhas mãos novamente nessas caixas. Nunca mais.
texto: paulo moreira
imagem: photoforum.com - rússia